Alberto Contador - “Nairo Quintana é o favorito para ganhar a Vuelta 2018”

Agosto 27, 2018
Alberto Contador - “Nairo Quintana é o favorito para ganhar a Vuelta 2018” Foto: Eurosport

O Eurosport falou com Alberto Contador antes do início de mais uma edição da Volta a Espanha. Após colocar um ponto final na carreira, “El Pistolero” está agora ligado ao ciclismo como comentador do Eurosport. Pela primeira vez, acompanha La Vuelta pelas telas do canal e dá a sua particular visão da corrida.

Quem é o favorito a vencer esta edição da Vuelta?

Eu diria o Nairo Quintana. É um ciclista que já sabe o que é ganhar uma Grande Volta e acho que se preparou muito bem. Teremos de ver como chega o Vicenzo Nibali. Se se preparou bem e se recuperou bem da lesão nas costas, mas até se montar na bicicleta não dá para saber.

Entre os espanhóis, quem são os favoritos a vencer a Vuelta?

O Alejandro Valverde é um ciclista que pode fazer grandes coisas e tenho a certeza que ele vai dar muita luta. À medida que a corrida evoluir, se ele cometer algum erro, pode vir a ficar sob as ordens da equipa e ter de ajudar o Nairo Quintana. Existem outros ciclistas que podem fazer uma grande corrida. O David de La Cruz está especialmente motivado e já sabe o que é ganhar uma etapa, mesmo que partilhe liderança com um companheiro de equipa.

Quem é o teu ciclista favorito para a classificação da Montanha da Vuelta?

O Omar Fraile.

E para a Classificação por Pontos?

O Alejandro Valverde.

Achas que o Alejandro Valverde é mais favorito a ganhar a Classificação por Pontos do que o Peter Sagan?

Sim, porque acho que o Sagan não vai terminar a Vuelta.

Como é que vês esta primeira edição da Vuelta sem o Alberto Contador?

Não sei como é que os fãs imaginam, mas para mim é algo estranho porque antes do início da corrida pude ir de ferias e estar na praia. Vejo a Vuelta com alguma nostalgia porque não estou a competir numa corrida na qual sempre me senti muito bem, apesar do grande nível de exigência e do sofrimento que uma prova destas tem. Desfrutei de cada momento e a memória do ano passado foi inesquecível. Tive a sorte de viver isso. É algo que me vai acompanhar para o resto da vida. Agora já não compito a nível profissional. Posso dizer que é algo complicado de lidar, uma vez que sou uma pessoa muito competitiva e vivi sempre para a bicicleta, mas acho que tomei a decisão certa. Felizmente graças ao Eurosport vou poder continuar a desfrutar do ciclismo durante uns dias, no final da corrida, e outros a partir do estúdio.

Ficaste surpreendido por haver montanha logo na terceira etapa?

É algo “tipicamente espanhol” na Vuelta. Em edições anteriores estávamos habituados a ter muitos finais de etapa em alto, que convidavam os ciclistas a ataques, e penso que esse é um dos segredos do êxito desta corrida. Espero que se possa manter isso no futuro.

Etapas importantes no percurso? Talvez os Lagos de Covadonga?

A etapa de Covadonga é sempre importante na corrida e volta a ser decisiva ano após ano. É um porto de grande importância e geralmente muito difícil de atingir sozinho. É uma das etapas que terá maior influência nos desenvolvimentos da corrida e da classificação geral. Tudo dependerá de como os ciclistas cheguem lá e, acima de tudo, se antes não tiverem problemas mecânicos ou físicos.

A etapa de Canòlich, com 97 km de percurso e um desnível acumulado de 4000m, é outra das grandes desta edição da Vuelta?

É certo que 4000m em 97 km são muitos metros em ascensão continua. Não tem setores planos e por isso será uma etapa muito intensa que convida a ataques. Ver estes 97 km faz-te pensar noutras etapas do Tour de France ou mesmo da Vuelta, como a etapa de Formigal, que também é curta, mas muito dura. Tenho a certeza de que vamos assistir a uma etapa muito bonita.

Se fosses Diretor de Corrida, o que acrescentarias à Vuelta?

Eu tentaria fazer um percurso muito atrativo. Talvez procurasse ter etapas de montanha mais longas, não sempre tão curtas e explosivas. Mas acho que o percurso deste ano está muito bem para esta altura do ano. Não se pode fazer etapas para os sprinters e 10 dias depois, vão para casa. Tem de haver um equilíbrio e penso que é nisso que o percurso da Vuelta é muito bom.

O que é que retirarias da Vuelta?

Para mim o percurso muito duro da Vuelta é algo de bom, mas é verdade que por vezes não tens um dia de descanso (finais em alto, no final de subidas ingremes, longas passagens de montanha, curtas passagens de montanha e descidas…). Talvez com oito etapas e um final em alto seria bom, porque noutras edições da Vuelta tivemos onze etapas com final em alto.

O que torna a Vuelta a España especial por comparação com o Tour e o Giro?

Para mim é incrível. Não te vou dizer que a Vuelta é como umas férias, porque é trabalho, mas foi como se estivesse em casa. Sofres muito, mas recebes muito carinho dos fãs e muita gente grita o teu nome… pensando nos outros ciclistas eu diria que a Vuelta tem as melhores estradas e os melhores hotéis. Existem muitas pequenas coisas, mas muito importantes especialmente no final da época. A Vuelta é uma corrida com muitos finais em alto e para os líderes de equipa isso é muito cansativo; mas alguns desses finais só têm uma passagem de montanha, e isso não é muito cansativo. É certo que por vezes há que subir uma montanha muito dura, mas hoje em da é fácil os ciclistas falarem com os mecânicos e pedir que lhes preparem as bicicletas para esse tipo de etapas. A Vuelta tem outra coisa fantástica que são os fãs. Aqui eles não pensam nas nacionalidades e animam toda a gente. É algo que há que elogiar em relação à Vuelta.

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