Bicicleta vira poltrona para chamar atenção às altas cargas tributárias no Brasil

Mai 05, 2019

Uma bicicleta que vira poltrona e mesa é a aposta para chamar atenção às altas cargas tributárias brasileiras que incidem no setor. Os impostos chegam até 70%, tornando as bikes um produto caro e inacessível à maior parte da população. Intitulado “Bike Clandestina”, o projeto prevê que o consumidor possa escolher o formato de compra do objeto: ou móveis ou bicicletas.

“Bike Clandestina” é um projeto da agência Talent Marcel, com apoio da revista Bicycling e design de Cardoso Cycles. Esse protótipo seguirá apenas como uma peça para evidenciar as altas cargas tributárias. O produto não será comercializado. Para promover a ideia, além da própria bicicleta, foi criado o hotsite https://www.bikeclandestina.com.br que explica o projeto e onde é possível montar o objeto de acordo com a vontade do consumidor: ou poltrona, pagando até 12% de impostos, ou bicicleta, pagando até 70% de impostos.

"Muitos reclamam do preço de bicicletas, mas pouca gente sabe que até 70% do preço é imposto. A gente quis mostrar essa informação de um jeito interessante, então decidimos criar um símbolo, a “Bike Clandestina”, afirma Sergio Takahata, criativo da Talent Marcel.

Para Denis Cardoso, proprietário da Cardoso Cycles, o convite da Talent Marcel para participar do projeto foi, além de uma honra, desafiador. “Atender à demanda de duas funcionalidades tão diferentes para o mesmo objeto já foi por si só inovador. Além disso, adequar peças de bicicleta existentes no mercado a este novo quadro feito de madeira, um material ainda novo mas cada vez mais presente na fabricação de bicicletas, foi um grande desafio. Ou seja, criar um produto com propósito maior, qualidade na matéria prima, com design inovador e funcionalidade foi de fato uma consolidação do meu trabalho”, comenta Cardoso.

O Brasil é o terceiro maior produtor de bicicletas do mundo, perdendo apenas para China e para a Índia. Um processo de desoneração tributária representaria um incremento de 14% no consumo, segundo relatório da consultoria Tendências, estimulando o setor de forma a aquecê-lo, além de tirar da informalidade uma série de pequenas empresas que criam bicicletas sob demanda. Ainda, há o benefício para o meio ambiente. Um estudo da ONG Aliança Bike projeta que a expansão do mercado de bicicletas pode evitar a emissão de 1,879,488 de toneladas de CO2 por carros privados e 17,364,672 por ônibus movidos à diesel.